Assinado
Contenho a raiva evitando escrever. As palavras não são simples quando o que pensamos é complexo. O demérito irrita-me. A usurpação de ideias e trabalho por mim realizado perturba-me para la do sustentável. Já não consigo sorrir. Cansa-me... Consome-me... Corroí-me... Torna-se penoso aceitar e compreender. Deixo a capacidade de defender o que crio. Prefiro soltar a corda. Noutros tempos argumentava numa lógica fria, rebatendo ponto a ponto todas as alterações que fossem sugeridas. Teimosia? Hum... Não... Talvez persistência por considerar como validos todos os itens que proponho. Tudo o que faço profissionalmente é o resultado de uma introspecção e analise profunda. Tudo o que proponho é importante. Pode não ser imprescindível mas tem impacto, conduz a uma melhoria... Por isso a insistência racional. O argumentário complexo alicerçado em exemplos... Em números... Em factos... Separando sempre o essencial do acessório. Tento abstrair o pensamento evitando pensar no evidente. Deixei de ter prazer no que faço. Deixei de sentir o sabor do desafio. Cedo. Cedo inexoravelmente cedo. Sem protestar ou defender. Lanço sobre o ringue a toalha rendido. Calo-me. Este projecto já não é meu. Na realidade nunca foi mas... Mas esforcei-me por interiorizar... Encontrar algo que me aguçasse o engenho. Qualquer coisa que me fizesse acreditar. Hoje... Hoje saio cabisbaixo. Derrotado. Hasteei a bandeira branca, numa rendição incondicional. Assinado foi o tratado. Resta-me esperar que a consciência regresse a este eu que nada encontra em si.


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