Passadas
O dia acorda vestido de invernia plena após as tréguas dadas pelo sol frio. A chuva volta a fazer a sua aparição qual um sentimento que procuro esconder enterrando-o algures no nenhures do meu ser. Tudo se eleva. Tudo se cala. A estrada molhada reflecte o chilrear matinal da passarada. O cheiro a cidade que tudo impregna, parece carregar em si o odor de uma floresta virgem. As minhas passadas ecoam com destino definido mas em sentido oposto a vontade do meu ser. Travo o clima idílico no ruído que crio, resultante de uma falta de capacidade natural de voar invejando o grasnar de uma gaivota aparentemente perdida. Penso... Por vezes nada vejo... Como se tudo me fosse familiar. Nem sei quantas vezes já percorri aquela rua. Tenho memórias. Tantas... Não as peso. Não as meço. Não contabilizo ou enumero. Acordo cansado por sonhar tanto que guardo de ti em mim.


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