domingo, 21 de março de 2010

Praia

O sol vive fluido refractado pelo orvalho que cobre com um manto verde esta terra de ninguém. Entre o o sol e as nuvens falta-me a evidente clarividência. Estou disperso pelos quatro cantos deste mundo que ausente de mim esta numa caixa que ressoa de ecos a vazio. Talvez seja a abstracção febril que percorre o meu corpo ou os tremores do frio que sinto esbarrar na minha pele tépida que condicionam a minha concentração. Não sei... A exaustão intensa deixa-me apático. Cada letra, antes fluida, fica presa em mim, entre barras de uma condição de passividade que desprezo. Penso... Penso para comigo como gostaria de descer a praia do meu ser. Sentir o sol que la vive. Tocar na superfície das ondas de cada pensamento antes destas desfalecerem na areia. Ouvir as memorias de cada gotícula inconsciente que delas se ergue desafiando-me a consciência. Ou aproximar-me o suficiente para ouvir o cântico desprendido do rolar de cada pedra escondendo dentro de si as palavras que insistem em fugir... Ou conter eternamente o embate de cada grão de mim em mim quando levados pela brisa áspera que por vezes toma conta de quem sou. Mas... Hoje não. Hoje remeto-me a uma quietude que trocista me irrita. Hoje não desço as escadas para a praia que habita em mim.