sexta-feira, 26 de março de 2010

Futuro

Tento segurar o tempo com as garras figurativas das palavras pela falta que me faz. Pela saudade...  Saudade do tempo em que eu era apenas um. Do tempo que a alegria era meu apelido. Do tempo em que os sonhos eram possíveis se realizarem. Saudade de sorrir feliz. Saudade de ouvir palavras que não ouço. Saudade de ler as palavras que já não leio. O luso sentir do fado da saudade enche meu ideal. Não vivo o passado no presente mas o meu presente é oferta do passado. Tento pensar não pensar no que penso, mas invariavelmente acabo por meditar em algo passado por tornar mais dormente em mim o sentir do futuro. Não sou dono do meu futuro. Tao pouco rei do meu destino. Canto somente o meu fado em palavras nostálgicas tingidas de esperança... pintadas nas cores dos sonhos que alimento em surdina aqui nestas poucas frases que sem efeito caiem no esquecimento. Frases agrilhoadas a um mundo virtualmente binário, sem matéria... Sem corpo... Apenas alguns traços d'alma... A que ainda vai sobrando em mim.