terça-feira, 23 de março de 2010

Sabor

As palavras têm o sabor insípido do vazio qual a ultima gota pinta o fundo de um copo de pensamentos transparentes. Lembro os golos que tomei com desprendimento desprezível, remoendo mil imagens que se afastam tingidas no negro das asas de um corvo que se entrega a uma fuga grasnando impropérios. A intolerância que para com tanto que me consome faz-me ver que nem tudo tem o som do chilrear matinal. Por vezes, não raras, metálico é o soar que ressoa... Rude... Áspero... Puro... Sem ser filtrado por uma consciência que me pede contenção piedosa. Profano... Sombrio... Sincero... Sou o corvo... Não escondo... Não nego... Não evito...  Maximizo minimizando tudo o que faço. Na minha realidade, alimento meu ser na berma da estrada da vida que percorro desconhecendo o Norte.