Pesadelo
Amanheci embalado num pesadelo contigo. Porquê? Porque entras num sonho meu se nada existiu. Se há tanto estás afastada e raramente dizes algo. Tudo é surreal neste meu mundo irreal. Nada faz sentido. Infelizmente são os nadas que tudo me fazem sentir. São as pequenas coisas que vão tracejando o meu céu, que estimulam o meu pensamento em busca do todo que se esconde em algo insignificante. Talvez seja essa a minha verdade inglória. A procura... Inevitável... Insatisfeita... Irrequieta... Imparável... Mesmo de forma inconsciente, muitas vezes sem o querer, encontro constantemente algo. Quantas vezes ao guiar de noite, ao ver uma luz tremula pontilhando convicta a escuridão, olho para lá dessa realidade e transporto-a para a minha própria realidade paralela, sob a forma dos sonhos que me habitam. Neste instante estou a caminho de Lisboa. À minha esquerda o céu esta carregado de uma promessa certa de chuva. À minha direita o sol acorda pleno de força marcando sua presença de forma rude nas portas da minha realidade. Esta é a consciência em que vivo. Na fronteira entre o sol e a chuva. Lá, nesse meu lugar que apenas a mim próprio permito a entrada vivo em adoração. A adoração do banal. Do vulgar. A adoração de todos estes nadas que vão fazendo todo o sentido em mim.
PS: Penso também como seria se assim não fosse... Seria feliz? Seria dono de mim? Domaria o tempo? Quem seria? Que seria? A superficialidade que marcaria os meus dias traria a vantagem de não olhar para o meu tempo como perdido e a miséria de não me reconhecer em mim.
PS: Penso também como seria se assim não fosse... Seria feliz? Seria dono de mim? Domaria o tempo? Quem seria? Que seria? A superficialidade que marcaria os meus dias traria a vantagem de não olhar para o meu tempo como perdido e a miséria de não me reconhecer em mim.


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