Rápidos
Navego numa correnteza de palavras soltas, que me amarram aos seus desígnios. Desconheço se sigo para montante ou jusante. Estou algures na encruzilhada dos meus pensamentos, sem ser timoneiro de mim ou tão pouco ter interesse segurar o leme do meu ser. Vogo ao abandono sem querer chegar ao destino que ignoro ou a uma margem pois nos rápidos da vida é que sinto o que realmente é viver. Prefiro as ribeiras omissas paralelas e divergentes que convergem na minha ilusória realidade de todos os afluentes de mim que se escondem atrás de pensamentos que ainda não consegui atingir. A maldição de ver a penumbra profunda, negra e salvadora na luz intensa do sol matinal ou de ver o dia na noite e algo que me apraz. Alegra-me a visão diferente que guardo. Mas que posso pensar se amanha já sinto esta ideia como vivida? A insatisfação de não estagnar preenche os meus dias em ideias que sei abandonadas após escritas. Nada resta em mim que o conforto de uma ideia passada gravada no meu pensamento.


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