quarta-feira, 31 de março de 2010

Reflexão

Afinal por que penso sequer em terminar com este Caos que me acompanha?... Querer esquecer não é razão suficiente... Mas sim pretendo esquecer o tudo que passei... As mentiras... As omissões... As traições... Os dois pesos e as duas medidas... O sentir-me culpado... A dor... A mágoa... O desengano... A ilusão...  O Desencontro... Os sonhos que não passaram disso mesmo... A forma inocente como acreditei... O como tudo aceitei... O quanto me neguei e reduzi a mim próprio... Sim... Tudo almejo esquecer... Erradicar em mim... Extirpar de mim... Perdoar-me... Calar-me gritando para mim próprio o quanto fui ridículo... O quanto me humilhei... Cansado... Cansado de tanto que se passou... Cansado de manter o queixo erguido em sinal de triunfo quando me derrotei meu próprio ser pela cegueira e paixão. Sinto-me caricato quando tanto se fala dos homens e da sua tendência para o egoísmo e para o egocentrismo... E a mim bate-me o reverso da medalha... Talvez seja essa a razão... Quanto mais damos... Mais nos tiram... Se nada mais temos para oferecer... Se já nem o Sol maior que escondo, meu sobeja para me irradiar com a sua magia... Nada me sobrou... Este Caos... Este Caos esta a tornar-se uma maldição demasiado pessoal para ser lançada as chamas do esquecimento... Para ser simplesmente destruída... Nutro-lhe um carinho odioso... Algo... Algo que não senti pelos escritos anteriores que terminaram os seus dias em cinzas consumidos pela voragem do fogo purificador... Neles este ritual macabro surtiu o efeito que pretendia... Mas... Mas na coragem cobarde que me assiste calo esta sensação lançando ao vento mais umas palavras do meu ser, sabendo que o Caos me consome no fogo que descreve existir em mim.