sexta-feira, 18 de junho de 2010

3D

Tudo agora é 3D. Tudo... Filmes... Televisores... Futebol... Tennis... Em tudo a ficção buscamos o real. Na virtualidade fria que nada diz procuramos tocar a realidade. Tê-la no conforto da nossa casa. Contemplamos a vida através de umas lentes de um óculo policromático... sentados viajamos sem nos mexermos... Temos todo o mundo concentrado ao alcance da nossa mão num comando que nos comanda que nos guia o destino. Conseguimos finalmente buscar no virtual a realidade. Somos ridículos enquanto espécie... Dentro de pouco tempo podemos nos maravilhar com o romantismo da chuva sem nos molharmos... Tudo... É burlesco... Satírico... Regressivo... Repulsivo... Incólumes conseguimos percorrer o mundo inteiro num único dia... Ver o nascer do sol algures numa ilha tropical... Vislumbrar o pôr do sol algures num deserto e ainda termos tempo de vermos uma aurora boreal antes de desligarmos do estado vigil... Tudo é falso... Hipócrita... Mesquinho... Inútil... Requentamos ideias... Revemos vivências... Tudo em 3D. E o resto?... Os odores? O calor? O frio? Os sabores? O tactear... O sentirmos o incómodo da areia escaldante sob os nossos pés? Ou a textura de uma folha em nossas mãos... Ou o beijar do vento? Que fazemos a essas memórias? Onde as vamos compensar?... No conforto do sofá solitário, a avareza triste de um arrependimento esquecido de ser sentido desligamos o nosso ser em torno do nada. Os nossos olhos têm uma resolução de 250000000Mpx... Mas mesmo assim preferimos uma televisão que não chega aos 1mega pixels... Injusto... Desprezível... Penso em todas as pessoas que nasceram ou ficaram cegas. Todas essas pessoas que pensaram elas desta nova realidade? Se há 250 anos vivíamos sob a égide do realismo cruel, que na sua indiferença podia ceifar toda uma família com uma simples constipação... Agora que à realidade nos tornamos imunes vivemos uma socrática alegoria da caverna num terceiro milénio de indiferença..

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Branco

As palavras que colhidas pelo vento em meu espírito encontram-se tingidas de um branco derrotista. Sinto na aragem turbulenta o olor da rendição total. Mesmo tocando a folhagem viva da copa das árvores, o sabor fresco matinal do renascimento condensado nas gotas leves do orvalho, insiste em não lhe dar uma graça divina. Vaporosa a condição que se escapa intransigente entre as frinchas do meu querer. Resumo-me a meia dúzia de palavras numa calma irrequieta que me transborda numa prece sussurrada. Numa deriva de fragmentos soltos procuro o bombordo, a margem, saltando entre cada da um na vã esperança de o conseguir. O passado objector e o presente abjecto, em diálogos ásperos, que não consigo escutar, conspiram contra o meu futuro. Travo mais um pensamento. Percorro a minha calçada num passo que, silencioso roça o sombrio, numa progressão geométrica contida. Evito... Evito todas as ideias que me consomem a atenção. Ilegítimo calcorrear sem direcção, que me promove os dias à invisibilidade de um caminho que vou percorrer insatisfeito por saber seu (meu?) destino já definido em mim.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Trezentos

I - O Sonho

Passados trezentos post's continuo na minha demanda... a busca do encontro no desencontro que um dia ousei eventualmente encontrar um fim. O meu olhar contempla a luz que vejo emanar por um misero buraco de agulha de meu ser onde vejo o paraíso volátil dos meus sonhos. Não glorifico o desencontro... Fazê-lo seria resignar o meu espirito a uma derrota total... Seria negação de tudo o que julgo magico. Seria o meu fim. Mas a chama tremula da palavra esperança, que em mim impera, crepita fraca em mim enchendo-me de sombras, como que aguardando um último suspiro... Um último folego... Ou um sorriso que faca renascer a gloria de todo o seu esplendor. Algo... Qualquer coisa... Tudo! O que quero... O que ambiciono! O que esqueci! O que não esquecerei! Quem jamais vou esquecer! O pôr-do-sol que num solecístico ancorado num sorriso tanto diz!

II - Presente

O que consegui? Em trezentos textos penso em todos os que perdi... Os que não concluídos foram obliterados pela simples razão de essas mesmas palavras, nesse dia especifico, não as sentia como minhas... Os não transcritos da sinceridade do papel... Os que na minha mente elaborei e joguei ao esquecimento sem qualquer remorso... Quantos seriam agora... Quinhentos?... Seiscentos?... Nem sei... Mas que cada palavra aqui dita foi parte de mim, no instante em que a senti, no momento em que a minha mão, obedecendo ao jugo apaixonado da minha emoção, a tracejou. Nada me parece como revisitado, apesar de ter uma certa sensação de repetição... Mas... Em cada dia a sensação foi única... Cada dia e único... Pelo que as palavras foram únicas. Se voltaria a escrever o mesmo pelas mesmas palavras?... Impossível... Jamais... As emoções persistem mas as palavras duram apenas o instante em que fazem sentido qual as gotas de chuva... Aparentemente iguais mas todas diferentes únicas, com a sua historia para contar. preenchidas com a sua verdade precipitam-se sobre o desconhecido com força redobrada... sente-se a calma do saber ancestral que se apagou nos confins da indiferença. Tanto de mim foi escrito em torno de um pôr de sol... Tanto de mim foi escrito na ausência presente da luz que me ilumina.

III - Futuro

Qual o futuro para as minhas palavras? Para os meus textos? Para o meu livro?... Continuarei a escrever? Perderei este querer em escrever? Encontrarei um fim para o Caos da Vida? Apaga-lo-ei? Escreverei finalmente o Meu livro? Desistirei dessa ideia? Neste momento não encontro respostas... Apenas questões que assentam em mais interrogações... Indefinições... Em cada das minhas palavras gostava de ver uma gota de chuva... em cada um dos meus textos gostava de sentir a correnteza da da chuva que não se vê... gotas de orvalho num dia de sol abrasador... a magia das brumas que escondem o futuro... A realidade da ilusão toma a forma das palavras que não digo... que calo... que me inquietam... que me levam a escrever mais do que vou sentindo em mim.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Palavras Sem Data II


IX

Pareces cansada... Sem brilho... Que tens? Que aconteceu?  Parece que o sol deixou de brilhar sobre ti...Como se a lua se tivesse olvidado da tua existência... O vento já não te abraça... Precisas de alguma coisa? Na minha cobardia lanço nas palavras o que não consigo te perguntar... O que me escapa e gostava de saber... Não sou curioso... Talvez um pouco, roçando o muito... Mas preocupado sempre... Algo stressado até... muito. Mas no bom sentido. Arrasa-me ver-te assim esquecida de ti... Culpo-me... Se talvez contigo falasse te sentisses melhor... Talvez conseguisse animar... Talvez em teus lábios fosse  lançada a semente de um sorriso... Mesmo que ténue... Subtil... Mesmo que passageiro. Algo que te afaste das ideias ou do sentir que mutila o teu sorriso divinal... Sinto-me triste com a tua aparente tristeza. sinto-me Impotente... Incapaz... Miserável. Porque a tristeza não é um objecto que possa ser passado de mão em mão? Porque não posso carregar esse peso por ti? Que injuta é a realidade quando em tua face não vislumbro a dinvidade que me apaixona. Não me sinto em mim sem ver um sorriso em ti.

X

Quantas horas passas dentro do teu carro? como consegues te apartar assim? mas... pelo menos quando entro consigo te ver. consigo saber que estás aparentemente bem... preocupas-me...  vejo-te como prisioneira de algo. de ti... conjectura insana bem sei... mas esteve um dia lindo. o sol estava magnifico, como se te quisesse brindar com toda a sua glória. como se a sua razão de ser fosse a minha... a tua... gostava de te tirar do carro e mo meio de toda aquela agitação pedir-te que fechasses os olhos e pensasses como sentias o sol quando eras criança... ainda te lembras? preocupa-me esse afastamento em ti.


XI

És a minha terra... A minha agua... O meu fogo... O meu ar.... Tornas reais os quatro elementos que voam divergentes. Consegues com a tua presença condensa-los num sorriso... Num olhar... Fundes os segundos num instante que curto toma a dimensão do horizonte longínquo do meu ser.


XII

Pinto o vento com o teu nome... Os sussurros que nele escuto vêm plenos da tua voz... Do teu encanto... De ti... Tudo me parece desnecessário... Superfulo... Inútil... Limitado... Alimento meu ser no teu sorriso, mesmo sabendo que não é meu... Alimento a minha paz na candura imaculada da tua voz. Porque não te digo isso? Porque me calo? Cobarde deves pensar... Talvez o seja... Mas mesmo na cobardia de calar o que sinto mostro a coragem em senti-lo. Em vive-lo... Não te posso dar todo o meu ser neste momento... Sou cativo da mentira ímpia... Da fraude suja que me conspurca o espírito... Estou preso as lágrimas, que mesmo as reconhecendo como falsas, fazem-me transpirar a culpa que não tenho. Vivo no algures entre o inferno da mentira e o céu do dos sonhos que em ti vejo reflectidos... Como pode compreender o incompreensível... Como? Como posso querer que acredites em mim se tudo parece demasiado irreal? Como te posso contar isto? Como? Como me olharias? Como um monstro? Alguém sem pinga de escrúpulos? Maquiavélico? Compreendes agora porque calo?...  porque me remeto a tortura deste silencio que me desconcentra? Arrasa? Destrói?... Mas ao admirar-te elevo-me... Sinto-me... Sou... Eu... Vejo em ti os reflexos que julgava perdidos da felicidade em mim.

Palavras (mais)

Onde quedam as palavras que já não me lembro. Tanto as que escrevi ou em minha mente acometeram o seu grito de liberdade. As palavras que edificadas em frases esqueci. Definham no amarelecer de uma vulgar folha de papel numa progressão lenta em função do tempo... Desfalecem nos confins virtuais do meu blogue sem fuga ou escapatória possível... Questiono a necessidade da sobrevivência... Reconheço que fisicamente todos os corpos tem a tendência de tomar as mesmas propriedades dos líquidos... Escoar... Penso que cada letra cada palavra cada frase desliza no precipício do abandono assim que materializada sob a realidade física que em seu âmago permitiu que ganhasse forma... Corpo... Substancia... Mas vivo no desconforto... Se gosto tanto das palavras porque as combato? Porque me rendo a elas? Porque desprezo a vontade de escrever? Porque tenho esta necessidade compulsiva em soltar na escrita que guardo em mim?... Estou cansado de viver este caos em mim.

domingo, 13 de junho de 2010

Cumplicidade

Existe uma intensidade sincera de cumplicidade na solidão. O tempo ganha a verdadeira dimensão da ausência. A companhia do silêncio reivindica o que mais disperso e desconexo existe em mim. O que de mais puro. Meu ser e continuamente acometido de uma portabilidade transitiva. Mutação multipolar. Transformações constantes que combatem derrotadas pela sua permanecia em mim. Rio... Rios de divagações incoerentes que fustigam todas as ideias plantadas nas margens de quem já não sou mas vou sendo. Pinceladas de olhos cerrados que vulgarmente falhadas na tela que julgo pintar tomam as formas que procuro. A mediocridade da grandeza vil. Em tudo vejo a falha da nobreza épica do querer seguir sonhos que em mim se tornam pesadelos... Queres ilegítimos... Enclausurados no infinito que se estende em mim

sábado, 12 de junho de 2010

Mar...

Não sei sobre o que escrever. Vivo sobre o fervilhar de tantas ideias mas não consigo reter uma o tempo suficiente em mim para a elaborar. Que ocorrência mais tétrica. Padeço da moléstia das ideias. Acordei cedo para ver o mar ainda só meu. Sem partilhar apenas mostro o meu egoísmo nestas alturas... Quero o cantar do mar apenas para mim. Quero que me embale na sua melodia sem que distraia a sua atenção com mais nada nem ninguém. Quero escutar todos os seus ensinamentos, repeti-los em surdina em meu ser... Ouvir a magia do deslizar de uma onda incipiente mas magna a deslizar na santidade da areia purificada por uma noite de paz. Lamento... Lamento as nuvens que cobrem o céu cobrindo o sol com o seu manto de magoa cinzenta.  O som das minhas passadas de cadencia indefinida, intromete-se na paz única que preenche tudo de um tom solene. Deixo rasgada a virgindade da superfície do areal com as minhas impressões temporárias, pois sei que amanha o meu registo em seu corpo mais não será que uma memoria levada pelo mar. Deixo ficar quieto e mudo o desassossego numa inspiração longa... O vento sopra a calmaria reinante, julgando-se imperador do meu querer... acaricia-me num beijo prolongado de um sabor que julgava esquecido. Acordo já desperto com um sorriso teu diante de mim.

Palavras Sem Data

Textos não datados... somente escritos.. tão pouco sei qual a ordem dos mesmos...

I
Vi um espaço vazio enquanto caminhava. Não estás. A frieza da certeza invade meu ser que anseia por te ver. Fecho o sorriso. Acalmo. Sisudo sigo meu caminho. Penso... Em que universo navego em tua ausência... Não no teu... No meu talvez... Demasiado complexo.


II

Aguardo, na desculpa de uma nuvem de nicotina, que a porta dos meus sonhos se abra. Exaspero para que a tua presença invada o meu dia de um sorriso que me vem faltando. Abriu. Surges... Mágica, flutuando num andar que me tolda todos os sentidos. Perco a concentração. Desligo de tudo em redor. Elimino todos os sons. Concentro-me na tua voz... Não escuto o que dizes... Não é isso que procuro... Busco somente a melodia do teu cantar no som de cada letra... De cada silaba... De cada palavra... Uno-as em mim num hino triunfante à alegria. Cerro minha face numa cara de poucos amigos... Desculpa idiota para não ser incomodado na vivência do meu sonho. Olho o calor que esfria  emanado pelo rubor da ponta do cigarro. Esqueço a falsa luz do sol pois nada me sinto ver... Estou cego pela tua voz... 


III

Outra ver o vazio... O nada... Como me destrói o sorrir viver no interior da tua ausência. Torna-me dormente. Sinto-me como um naufrago largado numa ilha deserta sem água ou sombra, vivendo no vazio... Alimento-me das memorias que vou guardando em mim, em cada dia que me iluminas com a presença de ti. Arrasta-se o dia em explicações casuais sem nexo ou sentido. Aguardo o que inicio da noite faça apressar o sentido do seu ser. Pelo menos assim sei que mais um dia clama por acabar com a promessa de te ver.


IV

Hipnose... Tua presença em mim é hipnótica. Concentro todos os meus sentidos em ti. Dirijo numa via de sentido único minha atenção. Absorvo cada gesto como se fosse o ultimo que visse. Mexes num fio que desliza sobre ti despendido. Não me lembro das formas ou cores do fio mas o meu olhar e direccionado apenas para a forma como os teus dedos brincam com ele... A graciosidade complexa de movimentos simples. O prender... O tocar ligeiramente apenas... Observo... Condenso a minha atenção em cada um desses gestos. Foste... Desapareceste por trás da porta que guarda o meu sonho. Fico irritado... Gostava de ter a possibilidade de poder ampliar cada imagem com que me presentas ate ao infinito. Olhar... Devorar o contorno dos teus dedos... Conseguir guardar todos os pormenores que não me são possíveis discernir. Memorizo tudo de ti em mim.

V

Acordei a meio da noite a sonhar contigo. Sinto a culpa da cobardia. engulo a contra gosto mentiras envoltas no papel cintilante de lágrimas. Que posso fazer. Desculpa-me mas as lágrimas mexem demasiado comigo. Queria... Queria tentar algo impossível com o teu nome inscrito. Não me morre a esperança. Não desfalece a ilusão. Mesmo sabendo que nada deveras sentir por mim. Porquê? Porque mexes assim comigo? Porque sinto esta ansiedade. Deveria odiar tudo e todos. Abominar a ideia de voltar a dar a alguém tudo de mim... Deveria recusar dar-me ou fazer do teu sorriso o meu... Mas por uma razão que desconheço arrasas todas as minhas defesas. Invades-me o espírito com alegria. Fazes sorrir todo o meu ser. Quem podes tu ser? A minha ilusão? Perdição? A razão ao tudo que foge em mim? O motivo do meu ser?... Neste instante da minha eternidade sou teu!


VI

Deitei-me a sentir uma leveza que não consigo descrever... Lembra-me da felicidade que sentia em criança antes de qualquer coisa muito boa. Fazes o meu adormecer contente. Despeço-me da consciência com um sorriso rasgado na minha face. Animas meu firmamento. Penso... Como serás? Em que acreditas? Serás calma? Mais stressada? Caseira? Boémia?... Em que pensas nos dias de melancolia? Penso em algo ridículo... Qual o teu clube?.. Benfica?... Divago em considerações desnecessárias e irrequietas em dias insípidos sem te ver.


VII
A ansiedade que me inunda exponencialmente quando estou caminho lembram-me as noites de véspera de natal passadas em criança. Ver-te-ei? Ou não? Peco a tudo que cada dia conspire a meu favor.


VIII
Escrevo os meus monólogos em jeito de diálogos improváveis contigo que desconheço se alguma vez os iras ler. Que pensaras de mim? - questiono-me invariavelmente se os lesses que ideia assaltaria a tua mente. Deixo de escrever "a quem eu quero bem" e dirijo a palavra a ti, mesmo sabendo a partida que estou condenado a uma resposta embrulhada num fio de silêncio que me silencia o ser. Desequilibrado? Insano? Idiota? Obcecado? Ou apaixonado? Enamorado? De ti? Claro! Porque? Em época de caos trouxeste a meus olhos o brilho que na lua escondido... Ou irremediavelmente perdido o seu reflexo em meu olhar. O verdadeiro sentir de um calor que o sol omite na cegueira cobarde que triunfa em mim no hoje em dia. Mas que pensas? Que te dizem as minhas palavras? Não me respondes bem sei... Mas gostava de ouvir na tua voz as palavras que não posso escrever. Gostava de conseguir libertar-me da gaiola segura destas linhas, abrindo as asas em diálogos contigo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Seis Anos

A noite foi arrasadora. Relembrei a sucessão de acontecimentos ocorridos à seis anos atrás. o tempo parou no tempo. Mal dormi. Acordei praticamente à mesma hora do tal telefonema que nunca suspeitei receber. Sinto todo o meu corpo dorido. Estou doente. Estou apodrecido nesta árvore seca de mim. Não me esqueço. Lembro-me perfeitamente da agitação. Da noite vivida. Do que vi. Do horror de te ver inerte. quieta... Abandonada de ti própria. Do dia seguinte e dos que se seguiram. A dormência total. O não sentir o meu corpo... Não sentir dor.. Não sentir rigorosamente nada. O Vazio total... Como se habitasse um mundo sem cor... sem dimensão... sem tempo... sem odor ou sabor. O zero. O fim. O limbo. Sentir o que é estar morto vivendo. Lembro-me... Como me lembro de andar a passear o Pantufas e não sentir o chão debaixo dos meus pés. Como se acima de tudo existisse... Num estado superlativo de ausência total de matéria e sentimentos. Morto. Não sentir vento. Não sentir calor. Não me sentir. Ou tão pouco sentir dor física. Sonhava... Acreditava estar a sonhar. Como se vivenciasse algo irreal, algo que nem na minha mente tivesse sido elaborado. Não me dava conta de nada. Do tempo. A noite e o dia fundiram-se sem que neles uma fronteira surgisse edificada. Somente saia porta fora sem destino ou nada dizer. Arrastava-me nas margens da indiferença. Consumido. Hoje talvez pela nostalgia do dia em si estou muito mais toldado pela saudade. Pelos momentos. Pelos instantes vivido. Pela Raiva. pela injustiça. pela falta que me faz o teu colo. Sinto vontade de chorar mas não o faço. Estou seco. gasto. consumido num processo de auto fagia emocional que me dilui. divaga... estou transparente. Traio a tua vontade. traio a memória que guardo de ti e dos risos partilhados. Da tua vontade. Da tua maternal maneira de ser que tantas vezes dizias o que eu não queria ouvir mas na tua sabedoria sabias que eu tinha que fazê-lo. Não esqueço. Lágrimas que em ti vi por mim. Pelo receio que sentiste no meu fim precoce numa altura mais conturbada minha, mas... mas no teu apoio encontrei as forças para rasgar com tudo. sabias... sabias que se não o fizesses hoje estas palavras escritas não estavam. lembro a forma brincalhona como, mesmo já crescido, a vaguear os trinta me olhavas e chamavas Bóbibo... Ou lagartixa do lavradio... como me conheces-te. como me lias. mesmo sorrindo apenas tu sabias que nada estava bem. Somente tu. Nunca compreendi como... talvez seja isso o ser Mãe. Talvez seja isso que me vai consumindo. Tenho saudades... não... a saudade peca pela excessiva limitação do seu significante.. lembrei-me agora de mais um instante. na escola primária a aprender a diferença entre o que é uma palavra de aglutinação e de justa posição. como desesperada pela minha falta de atenção me deste um tabefe. de como nunca mais falhei um única dessas palavras. de como nos rimos desse momento mais tarde. Sinto-me só... fazes-me falta. sinto a tua presença. a tua voz. escuto os teus conselhos... mas ainda hoje tenho dificuldades em conseguir olhar para uma fotografia tua. não consigo fazê-lo por muito tempo. Apenas de relance... não consigo compreender o motivo. talvez ainda esteja em Negação. Os nossos momentos sucedessem no meu pensamento... de como, mesmo não estando muito convencida da pessoa com quem ia casar, aceitas-te... como ficas-te feliz com a minha felicidade. pelo menos não viste o colapso... as mentiras... as histórias... a forma como neguei em mim o meu sentir por outra pessoa por me sentir culpado ao ver lágrimas falsas. não me vês agora. tantas vezes sem sorrir. sem rir. ou a fazê-lo a contra gosto. não sei... mas algo tenho a certeza... O deslizar dos dias pode ter secado as lágrimas mas jamais apagará a tua eternidade em mim.

terça-feira, 8 de junho de 2010

I'm (looking for) a lost dream reflected in a stream...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Reviver

Vejo... Observo mais um por de sol que me escapa na insistência de um dia perdido em torno de algo que não me identifica. Procuro a liberdade... Ou a raiva... Não me enaltece o pensamento... Afunda-me elevando para um tom de superficialidade meditativa nas profundezas das horas exaladas sem sentido. Invejo a presença do vento que não sinto... Consumido pelos odores não posso ouvir olho para a pressa das horas que permanecem fieis ao seu caminhar... Ocupo-me o mais que posso... Tento levar todas as possíveis situações até às ultimas consequências, mesmo sabendo da previsível inconsequência... Mais uns segundos ganhos... Quero a luz quente que definha na proibição que os meus olhos tem em poder saboreá-la... Quero a escuridão do silêncio... Quero que o sol e a lua se misturem numa noite diurna. Quero um tom negro policromático... Ou mil cores variadas tingidas de negro... Quero a contradição... Quero o oposto. Quero... Quero olhar para la dos sinais... Perder-me no vento... Diluir-me no verde que preenche os campos secos de um calor que assume já sons de verão. Quero ser invadido por uma calor frio... quente... Quero desprezar todo o querer... Quero perder o rasto ao futuro em cada instante passado em mim.

Repenso...

Sinto em mim uma gota de passividade a afogar o lume interminável de raiva que me consome... Alimentado esta meu espirito pela respiração calma... Hesito... Revejo... Não leio. Esqueço o que senti... Despeço-me da sanidade num riso demorado. Renego o viver consciente. Quero ser somente os sonhos que esqueci. Aceitar. Nunca. Negar? Nada tenho em mim. De nada temo. Acordo com o fantasma de um sorriso... O toque suave do solstício... Que distante vive inscrito no por do sol que ilumina a noite em mim...

sunset

Draw me a sunset... Paint me a dream!

sábado, 5 de junho de 2010

Recriar

Quero rasgar o céu com o aparo da minha caneta. Iluminá-lo num tom negro solido tornando-o assim claro a minha consciência. Ler. Ler-me. Ter as respostas que me falham. Que me faltam. Que quero conhecer. Que amo. Que odeio. Quero apagar o sol. Apanhar a lua. Inalar todo o vento numa única inspiração. Sorver todo o saber do mar. Ver em lágrimas reflexos de sorrisos. Rever. Recriar. Reconhecer. Voltar a conhecer-me. Quero somente selar o passado nas passadas futuras já dadas. Conseguir abrir os olhos. Não ser simultaneamente um portão sem muros ou um muro sem portão. Ser a última gota de chuva que cai rumo à perdição. Estou cansado. Talvez seja isso. Somente um cansaço passageiro como uma nuvem perdida num dia de verão. O canto solitário de uma cigarra tentando encontrar a rima no amarelo seco de uma canção que ninguém escuta. Quero destilar tudo isso libertando o concentrado de mim no gota a gota inscrito nas letras que desenho. Conseguir olhar para  o futuro nosso para além do pôr-do-sol. Inverter. Quero arrasar esta ambição que parece ser início de um fim em mim.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Reencontrar

Estou disperso entre mil pensamentos e não fixo nenhum. Nada... Sinto em mim a viagem interminável na secura agreste de um deserto sem oásis onde apenas as miragens me fazem mover. Sinto o bafo quente que me cala a envolver cada passada, evaporando as palavras que exalo para ninguém ouvir. Não sinto vontade de escrever pois as ideias prescindem de fazer sentir a sua presença. Ou ler as palavras sábias do Mestre... Nem nesses instantes sinto a salvação vivida outrora. Diluído na secura liquefeita. Sinto-me viver um sucedâneo de outros tempos. Liofilizado... Granuloso... Selado nesta embalagem hermeticamente cerrada. Tudo me tem um sabor amargo de insatisfação pura, diluída numa brisa monocórdica. Quero a luz inspiradora. Quero a noite pensativa. Quero reencontrar o que não resta em mim.