quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sem nome

Revivo o paraíso edilíco de sonhos que jamais quero esquecer em imagens que crio na imaginação apesar de aviltado pela deslocada realidade circundante. Vontades mil. Quereres mil. Desejos mil. Condensados em imagens simples que projecto diante de mim em câmara lenta, frame a frame, captando cada instante singular, cada angulo, forma, cor e som que as constituem. Em mim, no meu pensamento, mais que sonhos vivo a Minha realidade sem nome.

Complexo

Esgrimo o pensamento entre a simplicidade minimalista e a complexidade absurda, envoltas numa mistura disputada de lógica e emoção. Simplesmente complexo ou complexamente simples. Evolui o meu pensamento numa aura invisível difusa pela bruma da entropia. Nada é linear. Nada é complexo. Tudo existe para ser descrito, mas nada digo. Procuro apenas o que desconheço sem esquecer o que já sei. Odeio e amo a vontade que me impele a escrever. De forma consciente desprezo a consciência. Agitado. Descrente. Parto rumo ao desconhecido que se esconde no virar das esquinas do tempo. Ávido. Sagrado. Profano. Ufano. Tanta vontade condenso em palavras unidas por um caminho de uma frase que sem sentido desagua numa tentativa inútil de um texto formatado a letra 10. Electronicamente corrigido e contido. Incontida... A minha emoção que ambiciono desmontar. Desvendar. Descrever. Desfazer. Descomplicar. Complicado. Distante e presente. Frio mas caloroso. Complicado eu sou... e tudo o que mim existe, mesmo o que já dentro do meu ser já não subsiste. Triste. Sorridente. Tudo me interessa. Nada me prende. Plágio imediato e vergonhoso... Dramatismo desnecessário. Necessária descoberta em letras desinspiradas que buscam exalar o ar que nefasto consome o espirito que as embala no papel virtual. Real imaginário que me foge diante do meu querer ainda imaculado. Culpado por não ter dado voz à emoção quando estava a tempo de poder agarrar o destino. Definho. Calo. Consinto. Mas não esqueço tudo o que penso e sinto.

Manhã

Acordo cansado. Irreconhecível não me surge como familiar o meu reflexo ao espelho. Sinto-me como o pior dos cegos que mais do que não querer ver se recusa a faze-lo. Tudo me parece diferente. Distante. Perdido. Heterogéneo. O verde que cobre a paisagem foi tomado por uma tonalidade bizarra, que sem sentido, parece descontentualizada. Abstracto. Distraio o querer do pensar escrevendo. Debito algumas palavras. O reflexo do rio que outrora era mágico desmotiva-me. Os contornos de todas as formas com que me cruzo, normalmente fonte de estímulo para a minha memória fotográfica, apesar de correctamente delimitados são invadidos por uma aparência difusa, misturando-se todos num borrão multicolor heterogéneo sem ostentarem uma fronteira delimitada. Mau dia me espera. Numa hipocrisia de falsidade preenchida reconheço que está na hora de colocar a mascara e mostrar ao mundo o meu melhor sorriso guardando a minha verdadeira face para quem o merece.

Escolha

Cansado. Mais um dia difícil. Mais. Um. Quantos mais se avizinham na sua sucessiva ciclicidade imperturbável, não deixo de questionar. Questiono também o que merece a pena. O ignorar o evidente. O não viver o presente. Insistir na fantasia. Persistir no erro da imaginação. Sobreviver de sonhos. Gritos do meu querer silencioso. Porque não olvido? Porque sou diferente? Alguém me disse que tinha um dom... Penso que sou amaldiçoado com um dom.... Beneficio real não me traz. Nada de bom me concede. Nada. O que resta no fim do dia? O que me sobeja é o que me destroi. Corrói o ser. Consome as energias. O tempo. O espaço. O pensamento. Ambiciono o céu quando nem ao inferno tenho direito. Vivo no limbo dos tempos perdidos de todos os que vivem esquecidos. Esquecido não estou das promessas que a mim próprio me fiz. Que fazemos nós pela felicidade? Tudo. Eu... Eu não... Eu não faço tudo... Faço muito pior... Pela felicidade minto a mim próprio, ignoro a realidade, não encaro os factos, mantenho lutas que já perdidas há muito, alimentam sonhos que sei não me estarem destinados... Em vez de lutar contra a corrente talvez seja melhor deixar-me levar... Seguir o meu caminho com as velas do meu ser erguidas ao sabor do vento do meu destino. Desconheço o que será pior perante a bifurcação que se depara no meu caminho. Mentir-me insistindo em sonhos ou mentir-me negando-os... Ajoelhar-me e admitir a derrota? Ser cobarde? Ou continuar a lutar, numa coragem inglória de derrota em derrota? Viver numa gaiola esquecido da felicidade? Ou sentir o saber que se esconde no vento. Em qualquer dos casos, plagiando alguém... O que restará de mim?
PS: Se vivo de sonhos a minha escolha está decidida.

Inóspito

Mendigo pela caridade alheia de palavras vadias que não encontro no meu presente. Solicito a esmola sincera da sua presença no meu presente hostil. Em vão. Na sua fuga para o saber alheio, seu olhar não cruza com o meu, que se encontra ávido de novos saberes e sabores. Sem saber qual leigo remeto-me à matemática pura palavras lógicas que lembro no instante em que o traço inicia a sua viagem no papel. Que rumo tomarei... Que sentido encontrarei. Que palavras serão entregues ao papel confidente que mudo aguarda ansioso o próximo desabafo. Em cada texto sei que corro o risco de fugir ao contexto na esperança de uma inóspita visita de palavras soltas na sacralidade orvalhada da manhã.

Improvável

A morbidez aspera que se encontra encapotada no frio que olvidado regressa ao meu desconforto deixa-me inerte perante quao vã é a minha vontade. Resisto aos pensamentos de tudo o que tenho de fazer e do pouco tempo. Como odeio vaguear no gaguejar continuo dos ponteiros. Dia noite noite dia. Ciclos continuos na perdicao obscura de uma caixa de luz arificial iluminada. Pelo menos no breu profundo da noite amiga não vejo a realidade indesmentivel. Uma simples marioneta sou eu preso por arames que me rasgam profundamente o espirito a cada puxao subito e brutalmente forçado num palco com o publico indiferente dos meus sonhos no lado oposto ao meu. Mostro escondendo. Escondo mostrando. O Tudo. O Nada. O saber. A vontade. O querer. O acreditar. O ser. Sustenho a respiracao num suspiro que recuso dar. De olhos vidrados enfrento cada um. Leio cada uma das expressoes. Calo a raiva. Tomado pela a assertividade falsa, sorrio de uma forma educadamente diplomatica. Ahhh... Como os meus olhos massacram a assistencia irreal com todas as consideracoes arrasadoras que reconheco não serem dignos de ouvir. Mantenho a postura. Mas sei que o meu olhar esta iluminado agora fogo puro da raiva, que incontida arrasa cada um. Vejo como se prostam em sinal de respeito. Abro os olhos. Ainda não cheguei a casa. Apenas adormeci num sonho improvavel.

Disperso

A chuva furiosa que cai forte e incessante com rancor acumulado lembram-me os rasgões das palavras ditas tecidas na forma de promessas vãs e não cumpridas. Tomado pelas memórias invoco a raiva que escondo. Sinto o vento calo o sentimento.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Razão

Indago o meu espirito no sentido de encontrar uma razão palpável para a ausência de inspiração para escrever... O motivo primordial que me leva a entrar num estado de letargia total praticamente catatonico sem reaccão. O que me faz estranhar este comportamento e que absolutamente tudo me serve de estimulo para raciocinar. Tudo me interessa. Tudo. Objectos... Formas... Cores... Tons... Sons... Palavras... Situações... Mesmo perante uma garrafa vazia que o mar devolve à areia penso invariavelmente nas estórias da sua história que sobre si se encontram associadas em todas as cicatrizes que exibe com orgulho lucido... Tanto... Tanto que me activa o pensamento para um patamar superior... Vejo apenas que nada sou para me negar ao pensamento.

Ideias

Como é bom esquecer o tempo. Ganhar tempo perdendo-o em mil pensamentos inconscientes, sem origem nem destino, em torno de uma ideia inicial ausente. Deixar a imaginação correr com o movimento estático de tudo o que se perfila diante dos olhos inquiridores. Tudo e pensamento. O nada exige de si tudo. Quando em nada pensamos, estamos no fundo a meditar, mas o nosso nível de concentração e tal que não dispensamos uma transmissão neuronal na memorização dessa ideia. Esse instante onde nos deparamos com esse nosso "nada" e o momento mais perfeito e simbiótico que podemos ter com o nosso espirito. Confio cegamente na incerta certeza de que as nossas melhores ideias são aquelas que não nos lembramos. Essas sim são as mais puras e verdadeiras sendo a sacralidade máxima que as abraça numa aura mística superior, demasiado sincera para ser manchada pelo espírito corrompido que nos sufoca.

Condensação

O grito rouco do frio macabro deixa a sua marca no deslizar das gotícolas condensadas sobre o vidro fazendo-me lembrar as cicatrizes profundas de lágrimas, destiladas da tristeza mais recondida que escondemos dentro de nós, que no nosso orgulho mais ímpio impedimos que se materializem na face evitando o sinalizar de um caminho errado. Ou os sulcos que rasgados são pelo formão cruel que a vivência impossível nos deixa no espirito na forma simples do esvoaçar errante das memórias espectrais que nos atormentam nos dias insípidos que pretendemos que permaneçam esquecidas no nosso pensamento.
Ou como cada uma dessas simples gotas me relembra todos os segundos perdidos em tarefas dissociadas da minha vontade no mecânico tic tac da matemática marcação de aquilo a que foi determinado designar-se por tempo. Ou ainda as cores enigmáticas que se escondem nos sonhos dispersos dos quais desconhecemos o nome dos tons envoltos em mi sons.
Na realidade cada gota que vejo é parte de mim...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Jogo

Assisti a uma serie na televisão que me agitou o espirito. Já tenho visionado varias vezes mas apenas hoje o real alcance da mediocridade me atingiu com um embate brutal. Nessa serie o "ladies man" tem toda a graça do mundo... É a estrela máxima. O bom o grande o inteligente. Todas as pessoas o vêm como o modelo a seguir ou como o "Maior". Nessa mesma serie o irmão deste indivíduo não foi abençoado pela beleza, inteligência, sagacidade, estilo ou charme... A sua função e ser um mero "comic relif" que assustadoramente nada mais faz com tudo o que mal lhe corre na vida que mostrar como o outro e sem sombra de duvida o titular indiscutível da designação de "Maior" o "grande"... Este tem "piada" ou melhor (pior) é adorado sendo egoísta egocêntrico. Enquanto o outro tem piada sendo pisado e gozado. Bem sei que a rir se criticam os costumes mas na infeliz verdade nem todos os espectadores devem ver esta serie segundo esta perspectiva. Na realidade que vivemos passa-se exactamente o que e transposto no ecrã da televisão... Os egoístas com manias que são os maiores são idolatrados e tudo de bom lhes acontece como se vivessem envoltos numa aura de proteccionismo divino, enquanto os outros... Os verdadeiros existem para ser pisados ou na mais simples verdade a única necessidade da sua existência e a de servirem de gozo para os seus "superiores". Sinto um cólera raivosa invadir-me de uma forma visceralmente profana perante a situação. Os "puros" estão condenados a serem proscritos da sociedade. E o mais sinistro e como todos somos passivamente coniventes com a situação, pior... Como a dita humanista sociedade rejeita quem não segue esses princípios sagrados, como se a nossa maneira de ser fosse um factor para a selecção da espécie. Os bons dão-se com os bons os fracos com os fracos. E assim mantemos a nossa cegueira e com a adjuvante do aliado televisão. Ate quando iremos viver com vendas a taparem a nossa visão. Ate quando a falsidade ira triunfar sobre a verdade? Ate quando? Na realidade penso que e algo a que a nossa humana condição nos condena. E sempre preferível que gozem com os outros que connosco... Na mais básica verdade como podemos saborear o nosso "triunfo" quando tantos outros "perdem" no jogo viciado da vida.

Dança

A chuva hostil que invade as linhas com que escrevo as palavras de sensações vividas no livro do meu ser vem marcada pela aspereza crua. Observo o deslocamento descontrolado e desconexo da agua marcada pelas impurezas, da cegueira mundana, rumo ao fim do caminho que lhe esta destinado, uma vulgar sarjeta indiferente a sacralidade purificadora que esta transporta. Noto o flutuar disperso de uma folha amarelecida caída em seu regaço. Ganho tempo perdendo-me em pensamentos metafóricos carregados de analogias a humanidade que se mantém descrente a todos os nadas que tudo são com que é abençoada, mas no seu egoísmo déspota desvia o olhar para os tudos que nada são. A candura terna com que a agua embala a folha, fortemente marcada por uma existência difícil evidente em cada rasgão que ostenta com orgulho confrangedor. Penso como na maioria dos casos e preferível a visão de uma flor numa cor que nada nos diz a uma vulgar folha ressequida com a pigmentação verde da vida ausente da sua superfície. Preferimos o belo e o previsível mesmo que falso ou hipócrita, no entanto bradamos a plenos pulmões a nossa sincera verdade de falsidade feita. O rodopiar constante da folha ao sabor da corrente lembra-me uma coreografia perfeita entre dois parceiros que já se conhecem a muito. Complementam-se... De forma cega devíamos invejar o romance que mantêm, pois apesar de inertes em espirito reconhecem a importância de ambos na dança das suas vidas.

Esquecimento?

Palavras de sonhos tingidas
Esqueço no meu pensamento
Nas linhas tortas de meu ser
Distantes as contemplo caídas
Olhando para o firmamento
Do sentir que quero viver
Em ilusões perdidas
Arrasto no tormento
Tudo o que não quero esquecer

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Fotografia

Não sou fotografo... Nada sei sobre enquadramento... Iso's... Equilibrio de brancos.... Exposicao... Nada... Não tenho tão pouco um conceito de estetica apurado... Nem me preocupa as cores e os tons... ou os contrastes... Mas as fotografias que tiro em meus olhos e que revelo em minha alma têm a nitidez inatingivel dos sonhos.

Tempo II

O divagar inconstante do tempo na sua demorada pressa pelo dia a dia não dissipa o nevoeiro denso das memórias que me habitam. As memórias não são palavras que se apaguem ou que conseguimos rasurar com fúria concentrada que tenham sido escritas em momentos insipidos de falta de inspiração intransponivel. E impossível contornar tantas situações vividas com alguém que tanto me diz, sendo que as vivências criam um labirinto caótico preenchido de anotações entoadas de emoções carregadas de tanto sentir. Tento em tua honra dissimular em sorrisos perdidos de sentiddo o vazio que sinto no interior da tua ausência...
Diluído em mil memórias
(Tuas)
sorrio no sorriso
(Teu)
Revejo-te em lagrimas
(Minhas)
Sinto-te em pensamento
(Meu)