É ridículo, penso, titular algo com um plágio literal de um livro. Mas esvaído de ideias este titulo surge-me perfeito. Estas serão as palavras que nunca te direi.
Vais-te embora. Vejo agora todos os segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses... anos a desfilarem diante de mim desde Junho de 2006 até hoje. Tantas palavras ficaram por dizer. Tantas mais ficarão presas no meu espírito. Em mim. Condenadas à eternidade da minha existência finita. Sonho… como sonho ver-me a envelhecer a teu lado. Ver teu sorriso, acordar com o teu olhar. Ou ficar acordado apenas a ouvir a tua respiração ou ver-te dormir. Discutir contigo. Ver-te a berrar comigo pelas pequenas coisas que nada são e tudo significam e dizer que te amo. Ver o teu sorriso e fazer dele o meu. Secar as tuas lágrimas e sentir a salina tristeza que nelas habita a abandonar o teu espírito. Abraçar-te. Amar-te. Unir-nos num sentido silêncio que as palavras não podem dizer por parcas são em sentimento, e o silêncio sentido de duas pessoas tudo diz.
Senti a alegria de criança a invadir o meu corpo ao ver-te. Uma alegre e viva dormência. Senti-me perfeito. De imediato pensei em dizer o que por ti sentia o quanto te amava (e amo). Depois de anos que pareceram décadas de angústia e mudo sofrimento explodi de emoção incontida e incontrolável. Sinto quando te vejo algo que foge de mim à demasiado tempo. Algo que na minha idade julgava ser impossível sentir. Sinto uma Timidez de Criança. Como quando somos pequenos e tudo é perfeito e certo. Onde os sorrisos são sinceros e sentidos. As palavras ditas com uma eloquência iletrada que escapa ao mais inteligente dos homens, mas que na sua, por vezes onomatopaica, simplicidade traduzem toda a verdade e pureza que no mundo devia existir.
A verdade é que a vida é feita de oportunidades. Qual barco que parte a uma hora prédefinida e por ninguém espera, comandado por um Comandante insensivel chamado Destino. O meu caminho foi demasiado longo. Com demasiados cruzamentos e passagens paralelas. Temo agora que partes que me tenha atrasado irremediavelmente. O barco talvez tenha partido e eu sinto que ainda estou longe do cais. Demasiado longe e demasiado perto. Consigo estender a minha mão e quase tocar-te...
Sorvo cada segundo que consigo olhar para ti com um prazer ávido mas saboreando-o dentro de mim como se conseguisse fazer arrastar o tempo para mil vezes mais a sua real duração. Arranjo desculpas para ir à tua sala. Observo os magnificência dos teus gestos... A sensualidade do teu andar... Tento que não me vejas e ao mesmo tempo desejo que o teu olhar cruze o meu.