domingo, 24 de maio de 2009

Reflexão

A verdade mais não é que um somatório de mentiras matematicamente organizadas de forma a se tornarem numa ilusória realidade.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

As palavras que nunca te direi

É ridículo, penso, titular algo com um plágio literal de um livro. Mas esvaído de ideias este titulo surge-me perfeito. Estas serão as palavras que nunca te direi.

Vais-te embora. Vejo agora todos os segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses... anos a desfilarem diante de mim desde Junho de 2006 até hoje. Tantas palavras ficaram por dizer. Tantas mais ficarão presas no meu espírito. Em mim. Condenadas à eternidade da minha existência finita. Sonho… como sonho ver-me a envelhecer a teu lado. Ver teu sorriso, acordar com o teu olhar. Ou ficar acordado apenas a ouvir a tua respiração ou ver-te dormir. Discutir contigo. Ver-te a berrar comigo pelas pequenas coisas que nada são e tudo significam e dizer que te amo. Ver o teu sorriso e fazer dele o meu. Secar as tuas lágrimas e sentir a salina tristeza que nelas habita a abandonar o teu espírito. Abraçar-te. Amar-te. Unir-nos num sentido silêncio que as palavras não podem dizer por parcas são em sentimento, e o silêncio sentido de duas pessoas tudo diz.

Senti a alegria de criança a invadir o meu corpo ao ver-te. Uma alegre e viva dormência. Senti-me perfeito. De imediato pensei em dizer o que por ti sentia o quanto te amava (e amo). Depois de anos que pareceram décadas de angústia e mudo sofrimento explodi de emoção incontida e incontrolável. Sinto quando te vejo algo que foge de mim à demasiado tempo. Algo que na minha idade julgava ser impossível sentir. Sinto uma Timidez de Criança. Como quando somos pequenos e tudo é perfeito e certo. Onde os sorrisos são sinceros e sentidos. As palavras ditas com uma eloquência iletrada que escapa ao mais inteligente dos homens, mas que na sua, por vezes onomatopaica, simplicidade traduzem toda a verdade e pureza que no mundo devia existir.

A verdade é que a vida é feita de oportunidades. Qual barco que parte a uma hora prédefinida e por ninguém espera, comandado por um Comandante insensivel chamado Destino. O meu caminho foi demasiado longo. Com demasiados cruzamentos e passagens paralelas. Temo agora que partes que me tenha atrasado irremediavelmente. O barco talvez tenha partido e eu sinto que ainda estou longe do cais. Demasiado longe e demasiado perto. Consigo estender a minha mão e quase tocar-te...

Sorvo cada segundo que consigo olhar para ti com um prazer ávido mas saboreando-o dentro de mim como se conseguisse fazer arrastar o tempo para mil vezes mais a sua real duração. Arranjo desculpas para ir à tua sala. Observo os magnificência dos teus gestos... A sensualidade do teu andar... Tento que não me vejas e ao mesmo tempo desejo que o teu olhar cruze o meu.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Poemas

Se algum dia
Na floresta da vida
Me perder,
Em teus braços
Sonho me encontrar
Embalado pela alegria
Envolto no teu olhar
Mas desconhecendo
(o caminho)
De teu sentimento
Temo partir outra vez
Na inconstante busca
De meu tormento
Derrotista?
Não!
Convicto de um fado
Em tortas linhas
Traçado
Porque tal dom Quixote,
Busco na ilusão
Uma resposta para
(ou uma questão?)
meu melancólico sentir




Procuro uma régua
Que na imaginação existe
Para por fim Esta vida,
endireitar.
Mas por encanto
Sinto que minha busca
No eterno sempre
Persiste.
Em meu ser
Teu olhar escondi
Teu sorriso guardei
Não por vergonha
Mas por receio
De tanto sentir
Correspondido não ser


Guardei na memoria
(do meu sentir,)
teu etero olhar.
Sonhei acima
da fadada condição
(humana)
O desencontro num filme
a preto e branco
onde todas as cores
magicamente ganham
seu verdadeiro tom,
preenchendo-as
de um terno encantamento.



Contemplo no teu sorriso
a força da vida que torna
a desértica secura milenar
da desilusão
na mais pura e imaculada alegria.
Vejo.
Revejo.
Relembro.
Porquê?
Brado aos céus
num grito silencioso
que ecoa inaudível
pelos quatro cantos do meu ser
inundando-o de uma suave
dormência.



Inebriado
(pela tua presença)
absorvo cada instante
cada gesto cada palavra
como se o ultimo se tratasse.
Algemo minha vontade
de te abraçar
e teu olhar no meu
confrontar

domingo, 3 de maio de 2009

Magna est Veritas!



Vivo com uma máscara. Escondo-me por traz de um sorriso de uma insegura segurança. Confio desconfiado nas pessoas e nas verbalizações que as suas bocas emitem. Verdade ou Mentira? Sinto-me um detector de mentiras que, em permanente alerta analisa palavra a palavra as frases, sentido o pulsar da mentira. Dou corda. Faço de conta acreditar. O olhar sincero com que são ditos os pensamentos e ideias revolta-me… Fascina-me… Fascina-me até que ponto estão as pessoas dispostas a ira para mostrar a sua falsa sinceridade. Enoja-me… Encanta-me… Encanta-me ver o carácter mesquinho das pessoas a vir à tona do oceano da sua mediocridade colectiva, pensando que estão a mostrar o seu lado mais puro e sincero. Mordo em silêncio o meu riso. Ahhh… Se ao menos soubessem como é transparente a mentira.

Talvez seja mea culpa. Sem duvida. As pessoas não têm culpa que eu tenha uma memória fotográfica. Consiga lembrar-me de pormenores mais insignificantes e irrelevantes que, aparentemente, para o comum dos impuri são esquecidos. Mas… esquecidos estão os inomináveis que são os pormenores que os traem… Que são esses pequenos nadas que fazem incidir a luz expondo o seu ser.

As pessoas não têm culpa... Todos nascemos puros e verdadeiros. Aprendemos a mentir na infância. Aquelas pequenas e inocentes mentiras que escapam dos nossos lábios. Que nos salvam. A sociedade e os nossos pares fazem o resto corrompem invadem barbaramente o nosso ser manchando-o com a indelével marca da falsidade. Esquecidas estão as pessoas que ao mentirem não mentem aos outros “apenas”. Mentem a si próprias.

Decidi. Pensei. Interiorizei a minha vida em breves horas de frenético pensamento. Vou reescrever-me. Vou encontrar um equilíbrio entre eu mesmo e a minha mascara. Se um já não sou, o outro também não. A minha instabilidade daí advém. O não me identificar comigo mesmo. Este equilíbrio por ténue que seja tem de triunfar. Sairei das trevas da inexistência mais forte e decido que a mascara que uso mas com um coração que me permitirá confiar novamente nas palavras das pessoas quando são sentidas.

In memoriam


Interrompo este interregno neste materno dia com um sentimento de nostágica saudade. Saudades... Saudades do tempo em que pequeno ficava em teu colo protegido de tudo e todos. Do tempo em que os meus olhos de criança apenas viam o bem. Comtemplava tudo com pureza tendo a certeza, na minha pueril inocência que existia Verdade no mundo e que a maldade era apenas uma carateristica dos "homens maus".

Ahhh... a inocência... a inocência perdi... Observo o mundo que me rodeia com olhos criticos de quem é batido na realidade da vida. Verdade... Sinceridade... Honestidade... Pergunto-me... Porque partiram do espirito dos homens? Para onde foram? Teremos aberto novamente a caixa de Pandora? Só que ao invés de todos os males, com a excepção da esperança, terem descido sobre nós, tudo o que ainda havia de bom na humanidade entrou abrutamente naquela mistica caixa. Nada resta.

Perdi a inocência pela forma com que fui desfiando o novelo da minha vida. Agora resta apenas um contraditório emaranhado de nós demasiado complexos para ser encontrada a ponta mágica que tudo voltaria a compor.

Perdi-me... Escondi no mais fundo do meu ser quem sou. Selei com "palavra de honra" que não voltaria a erguer o Miguel criança.

Tenho saudades. Tenho saudades das conversas pela noite fora que se desenrolavam ao ritmo irreal de conceitos tanto abstractos como matemáticamente descritos.

Tenho Saudades de confessar os meus medos e os meus sentimentos mais profundos. Tenho saudades de ver. Tenho saudades de sentir. De sentir-me... De ser. De existir.

Suspiro... Plagio Eça de Queiroz fumando um pensativo cigarro. Observo como na ponta incadescente se desenrolam ideias... desafios... Vejo qual Deus Ateus omnisciente a maneira de ser das pessoas... Egocentricas, Teocentricas, Etnocentricas. Procupadamente despreocupadas. Responsavelmente irresponsáveis. Conscientemente inconscientes. Todas as pessoas são diametralmente opostas à verdade que exibem. Faz-me lembrar Ianus (Janus) o deus das duas caras. De alguém sincero na essência da palavra nem num remoto pensamento em sonhos a encontro.

Fui-te visitar. Onde não querias ficar. De onde fugias. Querias ser livre. Mas aprisionaram-te. Enterram o teu casulo na ultima manifestação de barbarismo que temos para com quem amamos. Acredito. Acredito que o teu ser voa livre. Quando te vi inerte na cama chorei.. Não me deste tempo para te dizer adeus... Dar um ultimo abraço... Um ultimo sorriso.... Mas na verdade tu já tinhas partido. Partiste... Procurando constantemente novas cores para pintar a tela da nova vida. Pergunto-me... Terás encontrado o verde sapo? Relembro. Relembro a busca por essa cor que ninguém nem nehuma loja conhecia. Não desististe. Continuaste a acreditar que a encontrarias. Encontras-te? Desejo mais que tudo que sim. Sinto a lembrança da minha critica cruel ao teu pintar. "Isso está mal!" "A prespectiva está toda errada!", "Só se aproveita essa árvore!". E tu... E tu ouvias-me. Pedias-me a minha opinião sem paternalismos ou amaciada. Querias a critica ferozmente arrasadora em deterimento da positiva.

Volto a lembrar os tempos de criança em que me chamavas Bóbibó e minhoca do lavradio... Nunca parava. Nunca desistia. Mas a vida muda... Eu mudei... Sinto que apenas o único aspecto positivo da tua partida foi não me veres desiludido com a vida. Mudado... Diferente... Distante... Insensivel... Por vezes frio...

Tenho Saudades... de ti... de mim.

Semper Tuo

Ad aeternum

Miguel Sequeira