sábado, 30 de agosto de 2008

MEMÓRIAS

Procuro nas minhas memórias o seu sorriso ou do seu olhar, apenas para sonhar, voltar a sentir-me vivo. Sinto o nos meus sonhos o cheiro da sua pele, o calor do seu corpo o som da sua voz. Estou a ser progressivamente corroído pela talvez mais sinistra das sensações de humanidade que nós seres racionais podemos sentir em toda a sua grotesca grandeza, a perda.
Perdi o sorriso. Perdi a alegria. Perdi a vivacidade. Perdi-me. Agora pálida imagem do meu ser reflecte-se no
espelho em que me vejo. Sinto o sopro da vida a escapar-se em cada expiração, em cada segundo que passa.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O REGRESSO AO PALCO

A minha magia desvanece-se. Numa hora os dados da vida foram lançados… para o melhor ou pior. Os deuses impávidos e serenos em seus assentos, apostando distantes em mais um jogo que na arena da vida se desenrolava (desenrola) . Agora ao palco da vida subo para mais uma temporada de aplausos com um sorriso que não me pertence na minha face. Todos somos actores e desenvolvemos o nosso papel. O meu está em stand-by aguardando que o guião seja actualizado, para que eu então possa actuar. Sou mau actor baixo os olhos ao palco contemplo o chão que piso, tomo-o como meu companheiro, meu confidente secreto neste jogo. Já não consigo contemplar a beleza de uma flor ou o chilrear de um pássaro pois a alegria que transmitem esbarra na couraça da minha infelicidade, deixando-me totalmente indiferente ao seu apelo, pela cega surdez que este anestesiante sentimento em mim provoca.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A VIDA MUDOU

Há muito tempo que não blogava. para ser sincero há demasiado tempo.

A minha vida mudou. Mudou muito, sentido que retrocedi 15 anos. Mas afinal o que é a vida?A vida não é mais que uma sucessão de caminhos que percorremos.Muitas vezes nós próprios decidimos que sentido tomamos nas encruzilhadas com que nos deparamos e vivemos assim neste simples dilema... Que devo fazer?.
Mas, na vida há sempre um (não um mas demasiados) mas, que nos moldam e impedem de seguir-mos o sentido que
pretendia-mos e como tal vemos-mos na circunstância de outros decidirem o nosso caminho. Esta destruição da
possibilidade de escolha afecta tanto a nossa vida profissional, pessoal indeferindo o nosso ser de ser quem pretendia-mos.
Eu arrependo-me de não ter dado a devida atenção à pessoa que me é mais querida.

Deveria ter feito muito mais. Deixei-me seguir em frente, iludido, com a realidade que me envolvia, pensando no fumo de um cigarro ou sofando (deitado no sofá) enquanto percorria os canais de um operador de cabo. Com o olhar toldado, não fiz tudo o que devia.
Agora lamento todos os instantes em que podendo a abraçar, beijar, mostrar o quanto a amava, dar insignificantes,
mas sinceras provas de amor, não o fiz. Deveria ter contemplado mais aquele olhar podendo dessa forma sentir o pulsar dos seus sentimentos da sua tristeza da sua alegria...