domingo, 23 de novembro de 2008

EXAUSTO

Já passei o ponto da exaustão… Já não aguento mais a dor em meu peito. Sinto-me como se fosse rebentar de um momento para o outro. Já não sou um homem. Sou um balão a que continuamente é passado ar. A elasticidade do meu ser parece ter chegado ao ponto de não retorno. Sinto-me rasgar por todo lado, não sou mais que um ser deformado por sensações. Não seremos todos? Guardo em silêncio esta deturpação do meu ser. Que estranho sentir este. Nós devíamos ser geneticamente manipulados para termos um interruptor emocional que nos permitisse desligar as emoções conforme necessário. Estarei a tornar-me cruel? Nós seres humanos sem emoções? Estou a perder a razão.
Estou cansado. Para dizer a verdade estou exausto e esta sensação é já de si resultante da castração “sertalinica” dos maravilhosos comprimidos que a farmacologia moderna coloca ao nosso dispor.
È triste mas as únicas alturas em que realmente nos sentimos vivos são quando estamos apaixonados ou quando, qual animal ferido de morte, tombamos vitimas da separação do nosso amor.
Estas sensações por nós sentidas encontram-se em lados opostos das barricas da palavra felicidade. Não existe sensação que mais eleve o nosso ser que voar-mos nas asas da paixão sentido a fresca brisa do amor a percorrer cada ínfima partícula do nosso ser, inebriando-nos com seu divino néctar, fazendo-nos entrar num estado modificado de consciência, conduzindo-nos a um profundo sentido de verdade de sermos finalmente completos. Tal passageira ilusão é progressivamente substituída por uma sensação de segurança, de pacifica calma, de paz interior. A paixão passa ao estado mais real que é o amor companheiro.
Agora vejo-me no dilema de procurar em palavras uma forma de explicar a quem mais amo este sentimento, mas nãos as encontro. Escapam-se entre as minhas conexões neurológicas a uma velocidade infinitamente superior à velocidade da luz, conduzindo-me a uma impotência emocional assustadora envolta na minha cobardia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

MEREÇO?

Quero faze-la feliz, faze-la sentir o cheiro da vida a cada passo que percorrer, o calor do amor em cada abraço em cada beijo. Como gostava que daqui a cinquenta ou sessenta anos estivesse com ela a meu lado olhando para o seu rosto e dizendo que a amo.