quinta-feira, 5 de julho de 2007

Ideia

Se todos nos contemplássemos como realmente somos não gostaríamos de ver o que observaríamos. Uma deformada imagem de alguém que julgávamos conhecer, mas cujas “feições” nos são estranhas. A imagem é reflectida no agitado lago da nossa consciência.

É interessante ver como todos procuramos algo ou alguém sincero… verdadeiro… honesto. Se assim é então porque mostramos imagens de que não somos realmente. Posamos para as fotografias… colocamos o nosso melhor sorriso… Honestos? Verdadeiros? Sinceros? Se somos tão virtuosos porque razão escolhemos então as melhores imagens… selecciona-mos que nós somos ou quem nós que os outros pensem que somos… Honestos? Verdadeiros? Sinceros? Se falamos com alguém baseamo-nos naquilo que vemos não é verdade? Se assim é, e partindo do principio que essa pessoa fez a sua própria selecção de “imagens”, estaremos a ver quem procuramos?...

Acredito que chegou a hora de abrirmos os olhos e aceitarmos as nossas imperfeições, não com vergonha ou temor pela crítica dos outros mas como um passo para o nosso crescimento e aceitação. Se todos assim pensássemos a nossa capacidade de vivermos em equilíbrio será amplificada para um patamar superior de civilidade e humanismo. Temos realmente muito de crescer… mas não podemos esperar, qual criança que logo que nasce já saiba andar e falar, este crescimento seja rápido e espontâneo. Terá de ser lento para que possa ser equilibrado e sustentado. Haverá sempre quem boicote, mas se a maioria o fizer os velhos do Restelo diluir-se-ão na realidade que os rodeia.